terça-feira, 20 de outubro de 2015

Roda Permacultural de Outubro - Permacultura Social


Permacultura como movimento já consolidou a maioria dos conhecimentos, ferramentas e recursos que precisamos para criar uma sociedade regenerativa no sentido físico, no sentido estrutural do design, isso é fato. Experimente pesquisar sistema de energia solar ou Bioconstrução, ou ainda sistema de saneamento ecológico. Você vai encontrar centenas de livros, artigos e tutoriais. Certamente podemos sintonizar nestes canais e com essas propostas, a partir daí, experimentar. No entanto, a tarefa mais difícil neste momento planetário está em transformar nossos sistemas sociais e invisíveis. 

Isso se torna ainda mais crucial quando trabalhamos, compartilhamos a permacultura fora da esfera privada (quintais, casas, sítios, fazendas, consultoria empresariais) e escolhemos a esfera pública (comunidades tradicionais, saneamento comunitário urbano, regeneração emocional coletiva, governança institucional, comunicação não violenta, etc).

Uma pergunta sempre nos instigou. Como você pratica a partilha justa em um sistema econômico que se baseia na acumulação e manutenção da desigualdade? Como você incide politicamente para mudar as leis e tornar os sistemas propostos pela permacultura algo possível enquanto política pública? Como você aprende a colaborar solidariamente em processos coletivos? Como desenvolver a empatia num sistema egoísta e de trocas pautadas na monetização?

Estas são perguntas importantes que precisa urgentemente de fala e co-construção. Podemos usar a ética e os princípios da Permacultura para nos guiar, em qualquer instância.  Neste sentido, convidamos a todas e todos para mais uma Roda Permacultural de trocas e construções no sentido de sonhar, planejar e executar um design de uma sociedade verdadeiramente do bem viver !

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Luciana Sarno Niloufer é Educadora Social, Gestora Ambiental e Permacultora Social, com aperfeiçoamento em Design e Implementação de Ecovilas  pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado, IPEC. Tem larga experiência na área de gestão ambiental, economia solidária, educação, meditação ativa do Osho, Yoga Massagem Ayurvédica, Reiki. Já atuou como coordenadora administrativa e comunicadora do IPB e fez parte da equipe que implantou e desenvolveu o Projeto Policultura no Semiárido. Hoje faz parte do Conselho Diretor da instituição, servindo como Diretora Presidente.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Águas do Jacuípe realiza intercâmbio em Agrofloresta

O Jardim Florestal Jequitibá foi o local escolhido para a atividade de intercâmbio do Projeto Águas do Jacuípe, entre os dias 27 e 29 de agosto, no município de Jaguaquara-Ba.
Henrique Sousa, agrônomo e agricultor familiar, foi o nosso guia e nos ensinou sobre as regras da convivência, as dinâmicas da natureza e a maneira como co-criamos com ela.
Henrique Sousa
Agricultores/as familiares de diferentes gerações tiveram a oportunidade de observar o manejo de um SAF - Sistema Agroflorestal, com a experiência de quem vem há mais de 18 anos produzindo e garantindo o sustento de sua familia com o que sai do seu sitio abundante. 
A região produz Cacau
"A primeira condição para você ter uma Agrofloresta é desejar um ambiente agradável, um local onde você pode ter uma produtividade mais ampla, com biodiversidade", responde Henrique. 
A Agrofloresta nos ensina sobre o principio da cooperação, a biodiversidade nesse sistema toma forma a partir de associação entre espécies diferentes que se ajudam mutuamente. Mas, para começar um SAF é preciso de sementes, nos lembra Henrique Sousa, "a gente precisa começar a criar o hábito de conseguir sementes diversas, e sair por aí coletando e ir plantando junto com as culturas já conhecidas", na Agrofloresta uma planta cria as condições para que outras cresçam, e ao fim do seu ciclo, serve de cobertura e nutrientes para o melhoramento do solo.
Pupunha

No Jardim Florestal Jequitibá a lista das espécies é impressionante: cacau, cupuaçu, açaí, bananas diversas, abacate, mandioca, inhame, cítricos, pitanga, cajá, manga, jaca, ipês, mogno africano, vinhático, cedro ... grande diversidade de espécies madeireiras e frutíferas, uma sala de aula ao ar livre.
Cobertura do solo
O Projeto Águas do Jacuípe é realizado pelo Instituto de Permacultura da Bahia – Núcleo Sertão, com patrocínio da Petrobras e parceria da UNAVAR - União das Associações de Várzea da Roça, STTR - Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Várzea da Roça, CODES - Conselho Regional de Desenvolvimento Rural Sustentável da Bacia do Jacuípe, Prefeitura Municipal de Várzea da Roça, Associação Comunitária de Lagoa da Preta e Capoeira do Milho e Associação Comunitária de Cruz de Alma.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Sementes da Chapada lança "Diversidade no Quilombo"



O encerramento das atividades do Projeto Sementes da Chapada: o Saber dos quilombolas na preservação da agrobiodiversidade aconteceu no domingo (17/08) e foi um entardecer de celebração e festa.

Na oportunidade foram lançados o dvd e a cartilha “Diversidade no Quilombo”, fruto de um ano de atividades, incluindo a pesquisa que deu origem a esses produtos. “A cartilha e o dvd é um importante material não só para a comunidade quilombola mas também para toda a sociedade, pois reforça o valor da agricultura familiar e da biodiversidade ao registrar aspectos interessantíssimos desta riqueza que está atrelada a cultura popular”, ressalta Catarina Camargo educadora do projeto.

Foi realizada uma exibição do video ao ar-livre na igreja do Bananal, a plateia atenta pode se ver na tela grande e reafirmar a riqueza da biodiversidade encontrada nos seus quintais. Com risos e expressoes de surpresa e felicidade os moradores assistiram encantados sua própria história.

A Comunidade Quilombola de Barra, Bananal e Riacho das Pedras esteve presente na festa, com direito a roda de samba e culinária típica quilombola, como a paçoca e o cuzcuz, ambos feitos com a castanha do pequi, produto bastante presente na cozinha local.

Esse retorno para a comunidade é um momento de fortalecimento dos laços e uma maneira de agradecer o fato deles terem permitido que entrássemos em seus quintais e registrássemos parte desse conhecimento popular passado entre as gerações. Sistematizar esse conhecimento em uma Cartilha permite deixar para a memória das futuras gerações algo concreto.

O Sementes da Chapada agradece a todas as pessoas da comunidade quilombola que foram fundamentais para a concretização do projeto e ao IPHAN, nas pessoas de Maria Paula, Nalva e Sayonara, que deram todo apoio e assessoria durante este processo.
Cuzcuz com castanha de Pequi

Realizado pelo Instituto de Permacultura da Bahia, o Projeto “Sementes da Chapada: o saber dos quilombolas na preservação da agrobiodiversidade”, contemplado no Edital Chamada Pública n. 1/2012, Mapeamento, Documentação e Apoio ao Patrimônio Cultural Imaterial, tem o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.

Fotos: Leila Aquino